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Auditoria no Corinthians indica retirada acima da cota de materiais da Nike

Levantamento aponta retirada quase 300% acima da cota anual de materiais da Nike e cita vice-presidente do clube

18/11/2025 08:30 - Atualizado 17/11/2025 16:12

Foto: Rodrigo Coca, Corinthians

Relatório de auditoria interna realizada no Corinthians identificou irregularidades na gestão dos materiais esportivos fornecidos pela Nike, com retiradas que teriam ultrapassado em quase 300% a cota anual prevista em contrato. O documento, ao qual o ge teve acesso, aponta que a situação teria afetado até o time profissional: em determinado momento, o clube não dispunha de camisas suficientes para a partida contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro. A apuração mira o controle de entrada, armazenamento e distribuição dos produtos da fornecedora oficial, incluindo uniformes de jogo e materiais de treino.

Segundo o levantamento, enquanto o volume de itens retirados crescia acima do limite estabelecido com a Nike, equipes das categorias de base e de outras modalidades do Corinthians estariam recebendo menos materiais ou atuando com uniformes em condição considerada inadequada. A auditoria elenca sete ocorrências classificadas como graves, entre elas o acúmulo de coleções antigas sem destinação definida, distribuição desigual entre dirigentes, funcionários e atletas, e retirada de produtos sem seguir o fluxo completo de aprovações internas. Também foram relatadas solicitações feitas por pessoas não autorizadas, o que, segundo o relatório, dificultaria a identificação de quem utiliza os materiais em cada área do clube.

Auditoria no Corinthians detalha falhas na gestão de materiais

O documento registra ainda que não há inventário físico formal do almoxarifado do Parque São Jorge há mais de quatro anos, o que impede o confronto sistemático entre o estoque real e os dados de sistema. Notas fiscais de recebimento de materiais não teriam sido lançadas adequadamente, criando divergências contábeis e potencial exposição a questionamentos fiscais. A falta de planejamento nos pedidos direcionados à Nike, somada à ausência de um controle unificado de saída dos itens, é descrita como um fator que contribuiu para o desequilíbrio entre o volume recebido, o consumo interno e a disponibilidade de uniformes para as diferentes equipes do Corinthians.

De acordo com o relatório, o vice-presidente Armando Mendonça, apontado como responsável direto pela administração dos materiais esportivos, aparece no centro de algumas das ações consideradas irregulares pela auditoria. O texto afirma que o dirigente “demonstrou tom de preocupação em relação ao andamento dos trabalhos de auditoria” e utilizou “expressões de natureza agressiva e alusões interpretadas como ameaças” em diálogos com Marcelo Munhoes, diretor de Tecnologia do Corinthians e responsável por conduzir o processo de verificação. A análise interna indica que a atuação da vice-presidência teria influência sobre a forma como pedidos eram autorizados e como materiais eram distribuídos dentro do clube.

Armando Mendonça nega irregularidades em relatório interno

Procurado pelo ge, Armando Mendonça afirmou que não é o responsável por definir as diretrizes de distribuição dos materiais da Nike, alegando apenas acompanhar a execução e cobrar rotinas mais rígidas de controle de retirada dos itens. O vice-presidente disse ainda utilizar produtos do clube em ações de relacionamento com parceiros e torcedores, negou ter feito ameaças a integrantes da auditoria e classificou o relatório como tendencioso. A atual gestão do Corinthians não detalhou publicamente quais medidas adotará a partir das conclusões do levantamento, mas a apuração interna pode embasar eventuais discussões em conselhos do clube e ajustes nos procedimentos de controle de estoque e de relacionamento contratual com a Nike.

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